Quem foi Jonas?
Jonas foi um profeta hebreu que viveu durante o reinado do rei de Israel Jeroboão II, em meados do século 8 a.C. Jonas era filho de Amitai, e veio de Gade-Hefer, uma aldeia de Zebulom, situada nas vizinhanças de Nazaré. Ele também é o herói do livro que traz o seu nome, o quinto dos doze Profetas Menores.
O nome Jonas significa “pomba”, e a forma neotestamentária desse nome é Ionas. Algo interessante com o nome “Jonas” ocorre no Novo Testamento, quando comparamos passagens dos Evangelhos de Mateus e João.
No
Evangelho de Mateus (16:17), Jesus chamou Pedro de Simão Barjonas, que em
aramaico seria “filho de Jonas”. Entretanto, no Evangelho de João (1:42;
21:15,17), o pai de Simão Pedro é chamado de João, embora em alguns manuscritos
ele também apareça em em tais passagens como “Jonas”.
Diante
disto, não se sabe exatamente se os nomes “Jonas” e “João” (heb. Yonah e
Yohanan) são dois nomes diferentes do pai de Pedro (algo comum na época), ou se
representam duas forma gregas do mesmo nome hebraico.
A história de Jonas na Bíblia
O Profeta Jonas profetizou a restauração das fronteiras de Israel, o que foi alcançado por Jeroboão II por volta de 782-753 a.C., conforme o texto encontrado no livro de 2 Reis:
Também este restituiu as fronteiras de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do Senhor Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer. (2 Reis 14:25)
Considerando que Jonas profetizou acerca do reinado de Jeroboão em aproximadamente 790 a.C., durante a co-regência de Jeroboão e seu pai Jeoás, é muito provável que Jonas tenha conhecido o profeta Eliseu, que faleceu por volta de 797 a.C. Existe ainda a possibilidade de o Profeta Jonas ter sido um dos “filhos dos profetas” instruídos por Eliseu (2Rs 6:1-7). Conheça a história do profeta Eliseu.
A
maior parte do que sabemos sobre a história de Jonas é o que está narrado no
livro a qual tem seu nome. De acordo com o livro de Jonas, Deus ordenou que o
profeta fosse à cidade de Nínive para clamar contra ela (Jn 1:1,2).
Desobedecendo
a ordem de Deus, o Profeta Jonas foi para Jope e embarcou em um navio com
destino a Társis, a oeste de Israel, que talvez fosse a Córsega ou parte da
Espanha, enquanto Nínive, o destino a qual Deus havia lhe enviado, ficava no
estremo leste (Jn 1:3).
No meio da navegação, Deus enviou uma grande tempestade que castigou a embarcação em que o profeta Jonas viajava (Jn 1:4). Após os marinheiros clamarem cada um ao seu deus e realizarem uma série de procedimentos para tentar salvar o navio, o capitão da embarcação encontrou o profeta Jonas dormindo no porão do barco (Jn 1:5,6). O capitão então ordenou que Jonas invocasse o seu Deus na tentativa de que Ele pudesse livrá-los (Jn 1:6).
Os marinheiros resolveram lançar sorte, e a sorte caiu sobre o profeta Jonas que foi declarado culpado. Interrogado pelos tripulantes daquele navio, Jonas mandou que eles o lançassem ao mar, para que a tempestade se acalmasse. Num primeiro momento os homens ainda tentaram resistir à ideia do profeta Jonas, mas ao perceberem que não teria jeito, lançaram Jonas no mar e a tempestade finalmente cessou (Jn 1:13-15).
O profeta Jonas e o grande peixe
Após ser lançado ao mar pelos marinheiros da embarcação em que estava viajando, o profeta Jonas foi engolido por um grande peixe que o Senhor providenciou. Jonas ficou no ventre do peixe durante três dias e três noites (Jn 1:17).
Jonas então orou a Deus em forma de um cântico de ação de graças, e Deus ordenou que o peixe vomitasse o profeta em terra firme, talvez em uma praia distante da costa da Síria. Muito têm se discutido acerca desse grande peixe que engoliu o profeta Jonas. Alguns defendem a ideia de ter sido uma baleia, enquanto outros reprovam essa possibilidade.
Na
verdade, de fato não precisa necessariamente ter sido uma baleia. Poderia ter
sido um grande tubarão, como o próprio tubarão-baleia que atinge um tamanho
enorme e não possui os dentes terríveis de outras espécies de tubarão.
O termo original em hebraico significa apenas “grande peixe” e o termo usado em grego na Septuaginta é um termo genérico para “mostro do mar”, “criatura marítima” ou “peixes de grande tamanho”. Seja como for, o correto é que esse episódio se refere a algo sobrenatural que ocorreu para que o propósito de Deus fosse cumprido.
O profeta Jonas chega a Nínive
Depois de ter sido vomitado pelo grande peixe, Jonas obedeceu a ordem de Deus e foi para Nínive (Jn 3:3). O profeta Jonas pregou conforme Deus havia ordenado, e a cidade naquele momento se arrependeu de seu pecado, sendo poupada por Deus (Jn 3:3-10).
O fato de Deus ter poupado Nínive deixou o profeta Jonas profundamente irritado (Jn 4:1). Muitos sugerem que o motivo da irritação de Jonas foi uma espécie de mistura entre ciúme e antipatia em relação aquele povo pagão que era inimigo de seu próprio povo. O descontentamento foi tamanho que o profeta Jonas pediu que Deus tirasse a sua vida (Jn 4:3).
Deus
então mais uma vez deu uma lição em Jonas. Ele fez crescer uma planta que deu
sombra ao profeta, deixando-o muito feliz. No dia seguinte, Deus mandou uma
lagarta atacar a planta e rapidamente ela ficou destruída.
Mais uma vez o profeta Jonas ficou irritado e pediu para morrer. Usando esse exemplo da planta, e da piedade demonstrada por Jonas a ela, Deus ensinou ao profeta que era moralmente correto que Ele manifestasse piedade pelo povo de Nínive (Jn 4:6-11).
Nesse
ponto a história do profeta Jonas termina repentinamente (Jn 4:11) e o Antigo
Testamento não faz qualquer outra referência sobre ele.
O profeta Jonas no Novo Testamento
O profeta Jonas é citado no Novo Testamento pelo próprio Jesus, onde Ele faz referência ao período em que Jonas permaneceu no ventre do peixe e ao arrependimento da cidade de Nínive através de sua pregação (Mt 12:39-41; 16:4; Lc 11:29-32).
Essa
referência sobre a história do profeta Jonas no Novo Testamento é muito
significativa, pois confere a garantia de que os relatos descritos no livro de
Jonas são fatos históricos e literais, e não apenas uma fábula com propósitos
nacionalistas como alguns comentaristas céticos sugerem.
O profeta Jonas nos relatos extra-bíblicos
Alguns estudiosos defendem que Beroso, um sacerdote e historiador caldeu da Babilônia que viveu no século 3 a.C., teria escrito sobre o episódio envolvendo Jonas. Beroso escreveu em grego uma obra sobre a História da Babilônia, onde em um de seus relatos ele se refere a uma criatura que emergiu do mar para conceder sabedoria divina aos homens chamada Oannes. Seria um tipo de homem-peixe.
Os babilônicos cultuavam diversas divindades com perfis curiosos, incluindo um deus das águas (Enki ou Ea). Mas o que chama atenção nessa história é o fato do nome “Oannes” ser muito semelhante ao nome grego Ioannes, que, junto com o também grego Ionas, é utilizado para representar o hebraico Yonah, ou seja, “Jonas”.
Portanto,
alguns acreditam que existe a possibilidade da descrição de Beroso ter alguma
relação com a história de Jonas, já que a fama de um evento miraculoso como
esse facilmente pode ter corrido entre muitos povos, e originado até mesmo
algumas lendas. O problema com essa sugestão parece ser cronológico, já que
para alguns o mito sobre Oannes remonta o período de 4.000 a.C., e a história
do profeta Jonas se passa num período muito mais recente.
Comentário Champlin
Historicidade
Na
primeira seção, Caracterização Gerai, chamamos a atenção
para os problemas envolvidos na historicidade do livro de Jonas.
Listamos
a seguir os argumentos específicos sobre essa historicidade:
1. Aramaísmo
Os
aramaísmos do livro apontam para uma data posterior, distanciando-o dos dias de
Jonas, filho de Amitai. Porém, essa objeção é muito enfraquecida pelo fato de
que os aramaísmos também ocorrem em livros antigos do Antigo Testamento, sendo
encontrados até mesmo nos épicos de Ras Shamra, encontrados em Ugarite, que
datam de cerca de 1400 A.C.
2. Tropeços Históricos.
Um
erudito tão respeitável quanto Robert Pfeiffer supõe que a designação do
imperador da Assíria como “rei de Nínive” (Jon. 3.6), e que a descrição de
Nínive como “cidade muito importante” (Jon. 3.3), sejam asserções
historicamente infundadas. Um autor que pertencesse à época sobre a qual
escrevia sem dúvida saberia melhor que isso, diz ele. Nínive foi local de
palácios reais assírios desde remota antigüidade, mas não foi elevada à posição
de capital do reino assírio, senão já nos dias de Sargão II (722—702 A.C.).
Apesar
de a capital desse império não ser Nínive, na época de Jonas, o que poderia
impedir o imperador assírio de ser chamado de seu “rei”? Apesar de a designação
comum, no Antigo Testamento, ser “rei da Assíria”, não há nada de estranho
quanto à pequena variante, “rei de Nínive”. No tocante às dimensões da cidade,
como é óbvio, nos dias de Jonas, Nínive não era tão grande assim, isso posto,
as interpretações supõem que os “três dias” mencionados no livro de Jonas falam
sobre o tempo que Jonas precisou para pregar nas praças da cidade, e não sobre
o tempo que ele gastou para atravessar a cidade a pé, como se estivesse a
medi-la em sua extensão. Na época, Nínive tinha cerca de seiscentos mil
habitantes. E, embora isso não pareça muito grande, de acordo com os padrões
modernos, significa uma gigantesca cidade para os padrões antigos.
Quando
muito, o autor sagrado “exagerou” sobre o tamanho da cidade. Os pregadores
sempre calculam as dimensões de suas audiências mais do que elas realmente são!
Devemos admitir, porém, que o trecho de Jonas 3.3 parece afirmar claramente que
seriam necessários três dias de caminhada para que um homem atravessasse a
cidade, apesar dos esforços de alguns eruditos para verem a questão sob outro
prisma. Quanto a mim, não me preocupo com o tamanho de Nínive, e nem se o autor
exagerou um pouco ou não. Mesmo que ele tivesse exagerado as dimensões da
cidade, isso não provaria nada contra a historicidade do relato bíblico. Apenas
mostraria que o autor caiu em algumas inverdades, muito próprias da exagerada
linguagem oriental.
Há
duas estranhas atividades que surgem em discussões dessa natureza. A primeira
delas é que os estudiosos liberais, em sua ansiedade por descobrir problemas na
Bíblia, dão imensa importância a pequenos detalhes, a fim de tentarem
consubstanciar sua posição. E a segunda é que os eruditos conservadores não
hesitam em distorcer os textos sagrados, a fim de que digam coisas que, na
verdade, não dizem, porquanto eles são incapazes de tolerar (psicologicamente)
a idéia de que, nas Santas Escrituras, podem ser encontrados quaisquer
equívocos, de qualquer natureza. Ambas essas atividades são bastante infantis,
e nada têm que ver com a fé e a espiritualidade.
3. O Relato sobre o Grande Peixe.
Os
estudiosos liberais simplesmente não vêem como um homem poderia sobreviver por
três dias no ventre de uma baleia, ou de nenhuma peixe. Não crêem que qualquer
espécie de peixe seja capaz de engolir um homem vivo. Daí, pensam que essa
porção do relato sobre Jonas deve ser apenas uma ficção divertida, e que, por
causa disso, devemos pôr em dúvida a história inteira, como uma produção
literária destituída de seriedade.
Histórias
sobre peixes, dizem eles, fazem parte das lendas e do folclore. E os eruditos
conservadores, pensando que os liberais conseguiram marcar um tento, chegam ao
extremo de dizer que Deus criou um peixe especial para engolir Jonas.
Para
exemplificar isso, vemos que até a prestigiosa enciclopédia Zondervan precisou
apelar para o sobrenatural, a fim de dar foros de autenticidade ao relato sobre
o grande peixe de Jonas. Lemos ali: “Aceitando o sobrenatural—preparou o Senhor
um grande peixe (1.17)—teremos removido toda a dificuldade”. Outros estudiosos
conservadores apelam para o dogma. Assim, Jesus falou sobre o peixe. Logo,
teria de ser um peixe real, e não mera lenda. No entanto, ambas as abordagens
são desnecessárias. Incidentes fartamente documentados mostram que algumas
espécies de baleias são capazes de engolir um homem; e também que alguns homens
realmente sobreviveram a tão bizarra experiência, Ver a sexta seção, História
do Grande Peixe, onde há uma demonstração desse fato.
4. Poder Demasiado na Pregação de Jonas.
Alguns
eruditos não conseguem crer que um judeu cheio de preconceitos, ao pregar sua
mensagem de condenação, fosse capaz de fazer vergar os orgulhosos ninivitas.
Uma canção popular americana exalta a cidade de Chicago. Uma das coisas que se
diz nessa canção é que Chicago é cidade tão incomum que nem Billy Sunday foi
capaz de fechá-la. Billy Sunday foi um pregador de tal modo poderoso que, em
certas cidades onde ele pregava, havia mudanças tão radicais na conduta do povo
que as forças policiais puderam ter o seu número reduzido. Não obstante, ele
não teria conseguido vergar Chicago! E assim também, os liberais não vêem como
Jonas teria podido submeter ^s ninivitas! Os conservadores, por sua parte,
apelam para o poder de Deus.
É
possível que Nínive tenha passado por uma melhoria espiritual, tendo abraçado o
monoteísmo, depois que seus habitantes sofreram uma praga devastadora. Essa
praga poderia ter abrandado o fanatismo pagão dos ninivitas, preparando a
cidade para a pregação de Jonas. Já comentamos sobre isso em l.c., Pano de
Fundo Histórico. Devemos obsen/ar, porém, que toda essa discussão é fútil e
supérflua. Nossa crença sobre o que Jonas poderia ter feito depende apenas de
nossos sentimentos subjetivos sobre o poder de sua prédica. Nada há de
estranho, porém, quanto a conversões em massa, ou quanto a multidões se
deixarem influenciar por uma retórica inflamada. Consideremos como Hitler
conseguia arrebatar multidões de seus ouvintes alemães, com alguns discursos.
5. O Livro de Jonas tem Escopo Universal.
A
leitura do Antigo Testamento dá-nos a impressão de que o povo de Israel era
exclusivista.
O
livro de Jonas, todavia, reflete uma atitude universalista, que caracteriza os
tempos posteriores daquela nação. Assim, na opinião de alguns, não passa de um
anacronismo o interesse de Deus pelos ninivitas. Isso no caso de insistirmos
sobre uma data mais antiga para o livro. Mas, contra isso, frisa-se o fato de
que o pacto estabelecido com Noé (Gên. 9.9) tinha em mira todos os povos; e
também que o pacto abraâmico (Gên.12.1 ss.J apresenta-o claramente como pai
espiritual de muitas nações; ou, pelo menos, em Abraão todas as famílias da
terra seriam abençoadas. Isso pode ser confrontado com Isa. 42.6,7 e49.6.
Talvez houvesse muitos judeus exclusivistas, mas a própria Bíblia não assume
tal posição!
Seja
como for, os judeus, desde os tempos mais remotos, consideram o livro de Jonas
uma obra histórica. Ver alusões a isso em III Macabeus 6.8; Tobias 14.4,8 e
Josefo (Anti. 9.10,2). Jesus também considerou Jonas uma personagem histórica
(Mat. 12.9 ss.; 16.4 ss.; Luc. 11.29). É verdade que alguns eruditos modernos
pensam que a passagem de Mat. 12.9 é uma interpolação posterior. Porém, não há
evidência disso nos manuscritos.
Data
Se
partirmos do pressuposto de que foi Jonas, filho de Amitai, quem escreveu o
livro que leva seu nome, então essa obra foi produzida em cerca de 750 A.C.
Tudo depende, porém, da historicidade do livro (o que é ventilado na quarta
seção, Historicidade) e na suposição de que o autor foi o Jonas que é a figura
central do livro. Uma data tão recente quanto 200 A.C. poderia ser aceita, se o
livro não passasse de uma novela religiosa, segundo alguns têm dito. Pelo menos
sabe-se que o livro deve ter sido escrito antes do livro apócrifo de
Eclesiástico (49.10), que alude à existência dos livros dos doze profetas
menores. O trecho de Tobias 14.4,8 tece referências ao livro de Jonas, e a
maioria dos estudiosos pensa que o livro de Tobias foi escrito antes do ano 200
A.C.
Argumentos em Favor de uma Data Mais Recente. Vários dos pontos expostos na quarta seção, Historicidade, os quais afirmam que o livro não está ligado ao período histórico aceito pela tradição, também se aplicam à questão de uma data mais recente do livro.
A
isso, adicionamos:
1. O trecho de Jonas 3.3 parece falar
sobre Nínive como cidade que não mais existia quando o autor sagrado escreveu o
livro. O texto diz ali: “... Nínive era...”. Porém, contra esse argumento tem
sido salientado que há uma construção gramatical similar, no caso de Emaús,
quando a cidade continuava existindo (ver Luc. 24.13). Admite-se, todavia, que
é estranho dizer-se que Nínive “era”, se ela continuava existindo quando o
autor sagrado escreveu.
2. O autor do livro de Jonas parece ter
tido conhecimento de profetas posteriores, e ele chega a aludir aos escritos
deles. Assim, conforme alguns estudiosos pensam, o trecho de Jon. 3.10 reflete
Jer.18,1 ss.; o de Jon. 3.5 reflete Joel 1.13 ss.; o de Jon. 3.9 reflete Joel
2.14, e o de Jon. 4.2 reflete Joel 2.13. Todavia, o que sentimos sobre essa
questão depende, em muito, daquilo que quisermos ler nas entrelinhas do texto
sagrado ou deixar de fora das passagens envolvidas.
3. O salmo de ação de graças (Jon.
2.1-9) reflete os salmos canônicos, alguns dos quais, segundo se supõe, foram
compostos posteriormente, não tendo sido da autoria de Davi. Mas os estudos
mostram que os salmos, grosso modo, refletem a antiga literatura cananéia,
devendo ser reputados como antiqüíssimos.
A atribuição do livro de Jonas a uma data mais recente repousa sobre o tipo de mensagem que o leitor percebe no livro. Se a obra é alegórica e reflete um período no qual o judaísmo se universalizava, então a data posterior faz sentido. Mas se o livro é de natureza histórica, então precisamos afirmar que houve alguma universalização nos sentimentos de Israel, desde bem antes do período helenista (ver a respeito no Dicionário).
Os argumentos
em favor e contra uma data mais recente, como se vê, não são conclusivos.
História do Grande Peixe:
Sua Historicidade e Tipologia
Uma
das características interessantes do livro de Jonas, se não a mais notável, é o
relato de como Jonas foi engolido por um grande peixe (presumivelmente, uma
baleia), mas foi capaz de sobreviver à prova, apesar de ter permanecido no
ventre do peixe por três dias! Há possibilidades científicas de uma coisa
assim, realmente, suceder?
1. Historicidade da Narrativa.
Ver
sob a quarta seção, Historicidade, em seu terceiro ponto, O Reiato sobre o
Grande Peixe. Ali damos uma boa descrição sobre como os liberais e os
conservadores têm argumentado sobre esse item. O material que se segue mostra
que, de fato, tal coisa pode acontecer.
Será
possível ser engolido por uma baleia e continuar vivo para contar a história? A
ciência responde “Não”, mas a resposta correta é “Sim”. Os registros oficiais
do Almirantado Britânico fornecem evidências documentadas sobre a espantosa
aventura de James Bartley, um marinheiro britânico que foi engolido por uma
baleia e escapou com vida para contar a história! O Sr. Bartley estava fazendo
sua primeira viagem (que terminou também sendo a única) como marinheiro de um
navio baleeiro, cujo nome era Estrela do Oriente, em fevereiro do ano de 1891.
Estavam algumas centenas de quilômetros a leste das ilhas Falkland, no
Atlântico Sul.
Em
certo momento foi arpoada uma grande baleia, que então mergulhou às profundezas
abissais. Quando ela subiu para respirar, ocorreu que seu corpanzil esmigalhou
o bote, e muitos homens caíram no mar. Dois homens não puderam ser encontrados,
e um deles era o Sr. Bartley. Depois de muito serem procurados, foram dados
finalmente por perdidos. Pouco antes do pôr-do-sol, naquele mesmo dia, a baleia
moribunda flutuou até à superfície. A tripulação rapidamente prendeu uma corda
na baleia e a arrastou até o navio-mãe. Posto que era tempo de verão, foi
necessário despedaçar imediatamente o gigantesco animal. A baleia foi sendo
cortada em pedaços. Pouco depois das onze horas da noite, os exaustos
tripulantes removeram o estômago e o enorme fígado da baleia. Esses pedaços
foram levados para a coberta e notou-se que havia algum movimento no interior
do estômago da baleia.
Fizeram
uma grande incisão no estômago da baleia, e apareceu um pé humano. Era James
Bartley, dobrado em dois, inconsciente, mas ainda vivo. Bartley soltava
grunhidos incoerentes ao recuperar um pouco mais a consciência, e durante cerca
de duas semanas pendeu entre a vida e a morte. Passou-se um mês inteiro antes
que pudesse contar perfeitamente a história do que lhe acontecera. Lembrava-se
de que, quando a baleia atingiu o bote, ele foi atirado no ar. Ao cair, foi
engolfado pela gigantesca boca da baleia. Passou por fileiras de minúsculos e
afiados dentes, e sentiu uma dor lancinante. Percebeu que estava escorregando
por um tubo liso, e então desapareceu na escuridão. De nada mais se lembrava,
senão depois de ter recuperado a consciência, uma vez libertado do estômago da
baleia.
Muitos
médicos de vários países vieram examiná-lo. Viveu mais dezoito anos depois
dessa experiência. Sua pele ficara com uma desnaturai coloração esbranquiçada,
mas ele não sofreu outros maus efeitos além desse. Na lápide de seu túmulo foi
escrito um breve relato de sua experiência, com o acréscimo: “James Bartley,
1879 a 1909, um moderno Jonas” (extraído do livro Stranger Than Science, por
Frank Edwards, págs. 11-13).
2. Tipologia.
A experiência de Jonas é um tipo de como Jesus, o Cristo, haveria de ficar retido em um sepulcro, para ressuscitar dentre os mortos, três dias mais tarde. Esse símbolo era um “sinal” para os mestres judeus incrédulos, os quais estavam submetendo Jesus a teste, quanto às suas reivindicações messiânicas. Jesus repreendeu aqueles que queriam receber o sinal, como necessário, porque isso comprovava que aqueles homens perversos estavam espiritualmente cegos. Em tal estado de trevas, precisavam de sinais e não eram capazes de reconhecer as realidades espirituais. Jesus recusou-se a realizar algum grande milagre, a fim de autenticar Suas reivindicações. Ele já havia feito isso, com abundância. E eles já tinham rejeitado todos os sinais que Ele fizera. Portanto, o Senhor lhes ofereceu um sinal bíblico. Por assim dizer, Jonas morreu e então retornou à vida. Por semelhante modo, Jesus morreria, de fato, mas ressuscitaria. Ver no Dicionário os artigos intitulados Ressurreição e Ressurreição de Cristo. O Senhor ressurrecto tornou-se o doador da vida eterna àqueles que nEle confiam, que passam a ser moldados segundo a Sua imagem. Parte da condenação de Jesus aos mestres incrédulos consistiu no fato de que os ninivitas, habitantes de uma cidade pagã, se tinham arrependido em face da pregação de Jonas. E, no entanto, Aquele que era muito maior do que Jonas pregara e mostrara sinais aos teimosos mestres judeus, mas estes se recusaram a arrepender-se. Isso significava que Deus haveria de tratar com eles com grande severidade. A ressurreição de Jesus Cristo, como é claro, foi o sinai final e definitivo das reivindicações de Jesus, como Messias prometido e Salvador.
Ocasião e Propósitos do Livro
O
livro de Jonas é uma ilustração veterotestamentária da verdade contida em João
3.16. “Deus amou o mundo de tal maneira”, que tomou as providências para que
houvesse uma missão de misericórdia, com a finalidade de prover remédio para o
pecado e para a degradação moral e espiritual. Se Deus teve tanto interesse
pela sorte de Nínive, então todos os povos devem ser vistos como objetos de Seu
amor.
Se os estudiosos liberais estão com a razão, então um dos propósitos do livro de Jonas era atacar os preconceitos judaicos, mostrando que Deus está interessado nos pagãos, e não meramente no povo de Israel. Nesse caso, teríamos um propósito polêmico no livro. Também poderíamos encarar esse propósito como didático. O autor não estaria sendo beligerante. Estava meramente procurando ensinar Israel acerca do interesse de Deus pelos demais povos da terra. O perdão divino é muito amplo; Seu amor vai desde os mais altos céus até os mais profundos infernos.
Outro
propósito possível era mostrar que a própria nação de Israel deveria
interessar-se pelas missões às nações. Nesse caso, o livro é uma espécie de
antigo evangelho, cujo intento é impelir à atividade missionária.
O
Julgamento é Remediai. Deus não tem prazer na destruição e na dor. Contudo,
destruição e dor podem ser aplicadas quando se fazem necessárias. O juízo
divino tem por escopo produzir nos homens o arrependimento. O trecho de I Ped.
4.6 mostra que esse princípio continua atuante no pós-túmulo, e não apenas
durante a vida biológica do indivíduo.
Pontos de Vista Teológicos
1. Deus é o governante universal, razão
pela qual tem o direito de convocar qualquer nação ao arrependimento.
2. Na qualidade de governante universai,
Deus também é o juiz universal. Se os homens não derem ouvidos à sua chamada ao
arrependimento, então Deus os julgará (Jon. 3.4).
3. Deus, contudo, é o Salvador
universai. Jonas foi enviado para salvação de Nínive, e não para obter a
destruição da cidade. O próprio profeta sentiu-se contrariado quando Nínive se
arrependeu e foi poupada. Ele gostaria de ter visto o cumprimento de sua
profecia de condenação. Deus, porém, não concordou com essa atitude. Ver Jon.
4.10,11.
4. O Abundante Amor de Deus. O amor de
Deus é permanente e abundante (Jon. 4.2). Chega mesmo a envolver os animais
irracionais (ver o vs. 11). Assim chegou aos pagãos. Não era coisa pequena, se
Nínive viesse a perecer. Vemos aí, novamente, a mensagem de João 3.16, que
contraria uma aplicação exclusivista do amor de Deus a qualquer grupo. Isso se
volta contra todo o tipo de exclusivismo, incluindo o calvinismo radical (ver a
respeito no Dicionário).
5. Os Preconceitos Exclusivistas São um
Erro. É moralmente errado alguém ser um bitolado religioso, que nada pode ver
de bom além de seu próprio grupo ou denominação. É bom o homem ter uma visão
mais universal, reconhecendo que Deus é verdadeiramente o Pai de todos os
povos, embora haja uma paternidade divina e especial no caso dos remidos (que
podem ser de qualquer raça, nação, seita ou denominação, não nos esqueçamos
disso).
6. A Motivação Missionária. Devemos
preocupar-nos com a propagação da mensagem espiritual e com a salvação das
almas.
7. O propósito remediai do julgamento
divino já foi abordado, na sétima seção, último parágrafo.
Esboço do Conteúdo
1.
Chamada ao Profeta Desobediente (cap. 1)
a.
A fuga de Jonas (1.1-3)
b.
A confissão de Jonas (1.8-12)
c.
Jonas engolido pelo grande peixe (1.13-17)
2.
Jonas Livrado pela Misericórdia Divina (cap. 2)
3.
Nova Comissão Divina e Obediência de Jonas (cap. 3)
a.
Jonas em Nínive (3.1-4)
b.
Os ninivitas se arrependem (3.5-9)
c.
A cidade de Nínive é poupada (3.10)
4.
A Consternação de Jonas e os Cuidados de Deus (cap. 4)
a.
A indignação de Jonas (4.1-4)
b.
A história da trepadeira (4.5-10)
c.
O amor de Deus por todos os homens (4.11)




