Pioneiro do Pentecostalismo Clássico no Brasil
GUNNAR VINGREN (1879-1933),
nasceu em Ostra Husby, Ostergotland, na região agrícola do sudeste da Suécia, a
8 de agosto de 1879. Seu pai era batista e exercia a função de jardineiro. Diz
o próprio Vingren que pelo fato de seus pais serem crentes, procuraram desde
tenra idade a ensinar-lhe os preceitos do Senhor. Os ensinos domésticos que o
pequeno Gunnar recebia de seus genitores era reforçado pelas aulas que recebia
na Escola Dominical da qual seu pai era um dirigente incansável.
Seu Preparo
Em 1898, Vingren teve
oportunidade de participar de uma Escola Bíblica. Ao final daquele mês de
estudos começou o trabalho missionário no interior de seu país. Em 1903, viajou
para os Estados Unidos ingressando no Seminário Teológico Batista em Chicago.
Em 1909, Deus o encheu de uma grande sede quanto a buscar o batismo no Espírito
Santo, o que não tardou a receber. Ao pregar esta verdade à igreja que
pastoreava, começaram os problemas; a igreja se dividiu entre os que
acreditavam e os que não acreditavam na sua pregação. Dirigiu-se, então, para
South Bend, Indiana, onde a igreja recebeu com alegria as Boas Novas,
tornandose uma igreja pentecostal com 20 batizados no Espírito Santo no
primeiro verão.
Sua Chamada Para o Brasil
Numa reunião de oração foi
revelado, a um dos irmãos presentes, que Gunnar Vingren serviria ao Senhor no
Pará. Descobriu-se mais tarde que se tratava de um estado no norte do Brasil.
Numa outra reunião de oração, Daniel Berg, seu futuro companheiro, que
conhecera numa conferência em Chicago, foi chamado para acompanhá-lo ao Brasil.
Depois disto, não demorou muito para que a ida ao campo se tornasse uma
realidade. Seus últimos dias na América foram de provas; um atestado de que
Deus era quem os chamava para o grande trabalho missionário. Finalmente, no dia
5 de novembro de 1910, partiram do porto de Nova Iorque com destino a Belém do
Pará
Adaptação ao Campo
No dia 19 de novembro
desembarcaram em terras brasileiras. Com certa dificuldade, sobretudo porque
não falavam a língua nativa, chegaram até à casa de um pastor batista que lhes
ofereceu hospedagem no interior de um corredor escuro, sem janelas, no porão da
casa. Para aprenderem o português, Daniel trabalhava numa fundição durante o
dia, enquanto Gunnar estudava; e, à noite, Gunnar compartilhava o que tinha
aprendido. Apesar da pobreza, da simplicidade da alimentação, das doenças, do
calor e dos mosquitos, a chama do Evangelho enchia seus corações cada vez mais
de alegria, atenuando assim o sofrimento. Primeira Assembléia de Deus Depois de
seis meses, Vingren foi convidado para dirigir um culto de oração. Aproveitou a
oportunidade para ensinar acerca das operações do Espírito Santo e da cura
divina. Durante aquela semana, nas reuniões de oração nos lares, o Senhor curou
a senhora Celina Albuquerque de uma doença incurável e dias depois a batizou
com Espírito Santo, sendo então, a primeira pessoa brasileira a receber a
promessa. Na semana seguinte, o pastor da igreja entrou de surpresa num
daqueles cultos. Depois de declarar várias acusações, insinuando que eles
ensinavam falsas doutrinas, provocou uma divisão na igreja resultando na
exclusão dos missionários e mais dezoito membros que os apoiaram. Então, em 18
de junho de 1911, os chamados "excluidos da Igreja Batista" formaram
a primeira Assembléia de Deus.
Avanço da Obra
O trabalho missionário não se
deteve. Avançando de cidade em cidade, o Evangelho era pregado e os milagres
aconteciam. Sofriam muitas perseguições, sobretudo pelos católicos que eram
ensinados que a Bíblia dos protestantes era falsa, e, se alguém a lesse seria
conduzido ao inferno. Apesar das dificuldades, por onde passavam, o Senhor
curava, salvava, batizava com o Espírito Santo e manifestava seu poder através
dos seus dons, sinais e maravilhas. Dessa forma, o número de crentes crescia a
cada dia. Contemplavam, também, o fim daqueles que se levantavam contra a obra,
pois era o próprio Deus quem lhes dava a recompensa. Nos primeiros quatro anos
de trabalho foram 384 pessoas batizadas nas águas e 276 no Espírito Santo, na
igreja de Belém do Pará. Depois de cinco anos em terras brasileiras Vingren foi
à Suécia, onde, por três meses pôde compartilhar as maravilhas que Deus operara
no Brasil. Pouco antes de seu regresso, encontrou-se com a enfermeira chamada
Frida Strandberg que também tinha chamada missionária para o Brasil. Mais
tarde, eles se casaram em Belém do Pará. No desejo de que todo o Brasil
recebesse a mensagem, foram enviados missionários a Alagoas e Pernambuco.
Gunnar Vingren com sua família foram para o sul, passando pelo Rio de Janeiro,
depois Santa Catarina e outras cidades no estado de São Paulo. Após outra série
de viagens, Gunnar voltou alguns anos depois para residir permanentemente no
Rio de Janeiro. Assim como no Pará, a obra pentecostal no Rio de Janeiro
crescia exponencialmente. Vingren participava ali da edição do jornal
"Mensageiros da Paz", além de seu trabalho como pastor e evangelista.
De 5 a 10 de setembro de 1930 houve uma importante Conferência Nacional dos
obreiros pentecostais em Natal; a principal decisão foi a de que a obra
missionária na região norte estaria sendo dirigida exclusivamente por obreiros
nacionais. Os anos seguintes foram de grande expansão da obra, sobretudo no Rio
de Janeiro. No dia 15 de agosto de 1932, o pastor Gunnar Vingren e sua família
despediam-se da igreja do Rio de Janeiro e do Brasil voltando à Suécia.
Seus Últimos Dias
Gunnar Vingren, no tempo que
viveu no Brasil, apresentou alguns problemas de saúde que se agravaram depois
que retornou à Suécia. No dia 29 de junho de 1933 ele entrou no descanso
eterno. Sua esposa, através de uma carta enviada ao Brasil, descreveu
detalhadamente a paz, a confiança e o consolo estampados no semblante de Gunnar
no seu momento último. Família Vingren, uma existência para a glória de Deus.
Fonte: Texto Amauri Galvão
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