Neoarqueano

 

Neoarqueano
 

 

Na escala de tempo geológico, o Neoarqueano é a Era do Éon Arqueano que está compreendida entre 2 bilhões e 800 milhões e 2 bilhões e 500 milhões de anos atrás, aproximadamente. A era Neoarqueana sucede a era Mesoarqueana de seu Éon e precede a era Paleoproterozoica do Éon Proterozoico. Como as outras eras de seu Éon, não se dividem em períodos.

 

A Terra no Neoarqueano

No Neoarqueano, cerca de 2,6 bilhões de anos, a atividade tectônica de placas pode ter sido bastante similar à da Terra moderna. Há evidências de bacias sedimentares bem preservadas, como também, de arcos vulcânicos, rachaduras intracontinentais, colisões entre continentes e eventos orogênicos de âmbito global bem disseminados, sugerindo a formação e destruição de um e talvez vários supercontinentes.

Durante o Éon Arqueano, havia aproximadamente 20 áreas cratônicas, entre elas, o Escudo Báltico (atual Europa), partes da América do Norte e da China e, no Brasil, o Cráton Amazônico e o Cráton do São Francisco, com idades 3,4 bilhões de anos.

No final do Arqueano (2,5 Ga), diversos crátons encontravam-se estabilizados, e a maioria destes, supostamente aglutinados em um supercontinente denominado de Kenorlândia.

A água na forma líquida era predominante, e bacias oceânicas profundas deram origem às formações de ferro bandadas, depósitos de cherte, sedimentos químicos e basaltos na forma de pillow lavas (lavas em forma de almofadas/travesseiros).

 

A vida no Neoarqueano

A vida no Arqueano se constituía de microorganismos unicelulares procariotos, ou seja, microscópicos e simples (sem organelas ou núcleo), também chamadas de bactérias ou arquebactérias (bactéria primitiva). Eram resistentes às condições de temperatura, radiação e química existentes neste período. Inicialmente eram heterótrofas, quer dizer, tinham de tirar seu alimento do meio, e não o produziam a partir de substâncias mais simples. Os organismos autotróficos, capazes de fazer fotossíntese, vão surgir mais tarde, no fim deste Éon, por volta de 2,7 Ga. São as bactérias verde-azuladas, e o sub-produto de sua atividade é o oxigênio.

Durante o Éon Arqueano as primeiras formas de vida tiveram papel fundamental nas transformações ambientais do planeta Terra. A condensação da água possibilitou a formação dos mares e oceanos, desencadeando os primeiros eventos de erosão e consequentemente a formação de rochas sedimentares. O aprisionamento de CO2 elevou a proporção de metano e amônia na atmosfera, e a ausência de O2 livre indicando um ambiente redutor.

As primeiras formas de vida surgem a partir dos procariontes (bactérias anaeróbias) em aproximadamente 3,8 Ga. O surgimento de bactérias fotossintetizantes e cianobactérias (estromatólitos) entre 3,5 Ga e 3,2 Ga desencadeiam os primeiros processos de oxidação, representados pelo BIFs - Formação Ferrífera Bandada (3,0 Ga - 2,0 Ga), marcando a mudança da atmosfera de redutora para oxidante e a formação da camada de ozônio nos Éons Arqueano e Proterozóico.

Este evento provocou a denominada "catástrofe do oxigênio", pois ocasionou progressivamente um aumento nos níveis de oxigênio da atmosfera alterando as condições de vida. Como os principais organismos neste período eram anaeróbios, o oxigênio "tóxico e corrosivo" exterminou grande parte dos seres vivos.


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